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Sábado - 2021-11-25

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UMA FAMÍLIA NO TOPO DO MUNDO

Cinema

Por Pedro Henrique Miranda

É UMA DAS ESTREIAS MAIS antecipadas do ano: não só pela autoridade e garantia de qualidade da assinatura de Ridley Scott; nem pelo elenco de luxo que inclui Lady Gaga, Adam Driver, Jared Leto, Jeremy Irons, Salma Hayek e Al Pacino; ou pelo avultado orçamento e os valores de produção; mas, e talvez principalmente, pela família no seio da qual o macabro enredo se desenvolve. A ideia é mais bem transmitiporventura, pelo título do livro de Sara Gay Forden no qual o filme é baseado: A Casa Gucci – Uma História Sensacional de Homicídio, Loucura, Glamour e Ganância. As personagens principais? Maurizio Gucci (Driver), neto de Guccio Gucci, fundador da mundialmente famosa casa de moda; a mulher, Patrizia Reggiani (Gaga), uma socialite italiana deslumbrada pelo estatuto e poder do império Gucci; o seu pai e tio, Rodolfo (Irons) e Aldo Gucci (Pacino); e o seu primo, o designer Paolo Gucci (Leto). A história real, já sabemos como corre. Em 1985, treze anos depois do casamento de Maurizio e Patrizia – a que Rodolfo Gucci se opôs, por achar que Reggiani não passava de uma oportunista –, o herdeiro da Gucci partiu numa viagem de negócios e, no dia seguinte, mandou dizer à esposa que não voltaria, e que o casamento estava terminado. Dez anos mais tarde, quando o divórcio foi finalizado e Maurizio se preparada, va para casar novamente com Paola Franchi, com quem já vivia há vários anos, Gucci foi assassinado por um sicário – que, veio a saber-se mais tarde, fora contratado por Reggiani. Apelidada Viúva Negra pela imprensa italiana, a socialite foi condenada, em 1997, a 29 anos de prisão, cumprindo 18 e sendo libertada em 2016, por bom comportamento. Acompanhando a jornada de ascensão e queda de Regianni, incluindo as suas tentativas de virar a família Gucci contra si própria e ganhar o controlo da marca de moda, o filme deverá centrar-se, sobretudo, em Lady Gaga, que tem ascendência italiana (o seu nome de batismo é Stefani Germanotta) e disse ter procurado encarnar uma Patrizia “autêntica”, torná-la “numa pessoa real, não uma caricatura”. Os seus esforços, e os da Casa Gucci no geral, geraram reações mistas. A própria Patrizia Regianni disse ter ficado “extasiada” com a perspetiva de ser interpretada por Gaga, embora tenha ficado ressentida por esta não a ter consultado – a produção aconselhou-a a não se associar a uma criminosa condenada. A marca colocou-se plenamente do lado do filme, providenciando guarda-roupa e acesso aos arquivos para as referências históricas. Mas a família Gucci, através de Patrizia, sobrinha de Maurizio, expressou frustração com a invasão de privacidade e tentativa de perscrutar os recantos mais sombrios da sua história. “Estão a roubar a identidade de uma família para lucrar”, disse. Também na estreia o filme gerou reações mistas: com elogios dirigidos a Gaga, Jared Leto e Al Pacino, a produção foi criticada pela inconstância do enredo. ●

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