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Sábado - 2021-11-25

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SANTOS E...

Crónica

De tantos Portugal se esquece, mas de Saramago jamais se olvida. Chega mesmo a comemorar o seu centenário com um ano de antecedência. Não é que o nobelizado não mereça as homenagens. O inviolável pessimismo antropológico e a ironia que irriga o corpus da obra não esmorecem, antes amplificam, o poder das parábolas de o Homem Duplicado ou de Ensaio Sobre a Cegueira. Mas há um problema, que confirmei na recente adaptação que fiz para TV de um dos seus contos, a estrear em 2022: no fim da linha civilizacional, ao contrário de Cormac McCarthy ou de Camus, não há saída. Só um túnel de escuridão.

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