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Sábado - 2021-11-25

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GALAMBA E O ESPECIALISTA DE 23 ANOS

Portugal

Por Maria Henrique Espada

Osecretário de Estado Adjunto e da Energia, João Galamba, nomeou para técnico especialista do seu gabinete o jovem Luís Lopes, de 23 anos, com efeito a partir de 4 de outubro. A nomeação ainda não consta do site em que o Governo divulga as nomeações, mas foi publicada em Diário da República dia 12. Mas quem é Luís Lopes? O currículo no decreto de nomeação é vago: é “gestor” (é licenciado e mestre em Gestão e, tendo iniciado o curso em 2016 presume-se que tenha terminado o percurso académico em 2021),“tendo prestado serviços em empresas portuguesas e no Parlamento Europeu” (PE). Não especifica que serviços, que empresas, ou por quanto tempo. O recém-formado terá um salário de 2.201 euros. Mas Luís Lopes é também militante da JS de Viseu, onde nasceu, embora a família tenha ligações a Trancoso. Uma fonte política local explica assim a sua candidatura autárquica a Sernancelhe: “O PS pura e simplesmente não tinha candidato nem a Tabuaço, nem a Sernancelhe, teve de se ir à procura.” Em Tabuaço, avançou Carlos Portugal, em Sernancelhe, Luís Lopes – que é enteado de Carlos Portugal, ex-enfermeiro diretor do Centro Hospitalar Tondela-Viseu e ligado ao PS distrital. Em Sernancelhe, o PSD bateu o recorde nacional do partido, com 81,89% dos votos, e Luís Lopes obteve 9,3%. Empresas não, escritório sim A SÁBADO questionou o gabinete de João Galamba sobre como chegou ao conhecimento de Luís Lopes e das suas competências e pediu a clarificação do currículo do nomeado (em que empresas trabalhou, em que cargos e em que períodos). A resposta destaca o “percurso académico exímio” do nomeado, tendo-se licenciado com 16 valores e mestrado com 17. Mas não há referência às empresas invocadas no CV, apenas a que, paralelamente à tese, “exerceu funções de business developer numa sociedade de advogados”, sem indicar qual. No Parlamento Europeu “exerceu funções” (não é especificado que funções ou com que vínculo profissional, se estágio ou outro), “principalmente nos comités Economic and Monetary Affairs e Regional Development. Nestes comités teve oportunidade de participar ativamente em relatórios como o da União Bancária e o Fundo para uma Transição Justa, o qual se reveste de grande importância para a área de intervenção deste membro do Governo.” Sobre como chegou o governante ao conhecimento de Luís Lopes, não houve resposta. Questionado, o próprio Luís Lopes respondeu apenas: “Relativamente ao meu CV, relembro que ao abrigo do DL n.º 11/2012, de 20 de janeiro, no artigo 11, o ponto 1 diz ‘os membros dos gabinetes são livremente designados e exonerados por despacho do membro do governo respetivo’.” Cita ainda o artigo 12 para notar que do despacho de designação consta “obrigatoriamente a identificação do designado, nota curricular”, mas nada concretiza do seu currículo, como “gestor”, ou no PE. “Resta-me dizer que não tenho nada para acrescentar em relação ao despacho.” ●

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