Assalto ao escalão principal
OPINIÃO
ESTORIL E VIZELA, POR VIA DIRETA, E AROUCA, FRUTO DE UM RETUMBANTE TRIUNFO (5-0) ANTE O RIO AVE NAS DUAS MÃOS DO PLAYOFF, AFIANÇARAM O REGRESSO À DIVISÃO MAIOR. UM PRÉMIO JUSTIFICADO PARA OS EMBLEMAS DA II LIGA, UMA COMPETIÇÃO QUE, EM 2020/21, REVELOU MAIS TALENTO FORA DO UNIVERSO B DO QUE VINHA A SER HABITUAL, O QUE COMPLICOU A ELEIÇÃO DO MELHOR ONZE DO EXERCÍCIO Victor Braga (Arouca, 1992). Guardião brasileiro com um largo trajeto nas divisões inferiores do futebol indígena efetuou duas épocas de alta consistência em Arouca, ajudando a catapultar o clube do CdP à I Liga, como fica atestado no admirável registo de 17 balizas-virgens – apenas 18 golos sofridos – em 30 jogos. Com um bom controlo espacial da baliza, ao explorar os seus reflexos, a sua elasticidade e uma agilidade inusitada num guarda-redes robusto, sobressai pela agressividade que emprega nas saídas aéreas e na resolução de situações de um contra um ante os avançados rivais, até porque é destemido e sagaz no controlo da profundidade. Thales Oleques (Arouca, 1994). Depois de cinco no Braga B, sem debutar pela equipa principal, o lateral-direito rumou ao Arouca, onde cumpriu o terceiro exercício como indiscutível. Apto no capítulo defensivo, principalmente na defesa do espaço exterior, revela acutilância nos desdobramentos ofensivos, tirando partido da sua velocidade e da sua disponibilidade física. Agressivo no ataque à profundidade sobre o corredor, em busca de cruzamentos para zonas de finalização, mostra também competência a perscru- tar espaços interiores ou a promover variações rotundas do centro de jogo. Guilherme Ramos (Feirense, 1997). Defesa-central destro, que concluiu o seu trajeto de formação no Sporting, evidencia argumentos que lhe permiti- rão afirmar-se na I Liga. Poderoso fisicamente, sem perder inabi- tual velocidade nas deslocações num jogador com a sua robustez, e forte no jogo aéreo, consegue impor-se nos duelos, ao revelar-se autoritário no desarme. Assume, com conforto, ações de condução e de construção, com qua- lidade no passe a diferentes distâncias. Sema Velázquez (Arouca, 1990). O internacional venezuelano regressou, em fevereiro, a Arouca, para formar uma dupla coriácea com João Basso, capital para o registo de 11 triunfos subsecutivos que cerraram com a ascensão ao escalão maior. Fortíssimo fisicamente, e com ca- pacidade de liderança, revela pre- dicados no capítulo posicional, o que lhe permite cortar linhas de passe, e na antecipação. Apesar de recorrer a processos simples, não se inibe de assumir ações de construção e de condução. Simãozinho (Penafiel, 1995). Contratado ao Chaves, após passagens por Estoril, Braga B e Trofense, o canhoto, que Paulo Fonseca chegou a debutar na equipa principal dos guerreiros num jogo da Taça da Liga em 2015/16, realizou época consistente, beneficiando da estrutura com três centrais utilizada por Pedro Ribeiro, que o libertou para o papel de lateral/ala. Forte, rápido e disponível, mostrou ser uma lança permanente no ataque à profundidade pela esquer- da na sequência de ações de con- dução e de desmarcação, solicitando, através de cruzamentos venenosos, várias assistências para situações de finalização. Além disso, é agressivo na pressão, na reação à perda e na recuperação de posição. João Gamboa (Estoril, 1996). O médio-defensivo poveiro, que repartiu o seu trajeto de formação entre Rio Ave, Varzim, Benfica e Sp. Braga, realizou o melhor exercício como sénior, reabrindo as portas do patamar principal. Além da aptidão como recuperador, reflexo de um bom sentido posicional, ofereceu qualidade às duas primeiras fases de construção dos canarinhos, combinando passes curtos com variações pungentes do centro de jogo. Mostrou também engodo pelas balizas rivais, tanto na execução de penáltis como no aproveitamento aéreo de bolas paradas laterais. Samu (Vizela, 1996). Sem espaço no plantel do Boavista, o médio-centro canhoto não se atemorizou, no verão de 2019, com a perspetiva de descer dois escalões para rumar a Vizela. Figura central na dupla promoção dos azuis, regressará à divisão maior – 267 minutos em 3 épocas – com estatuto robustecido. Nuclear em ações ofensivas e defen- sivas, nunca se esconde e gosta de estar no centro do jogo, tirando também partido da sua imen- sa flexibilidade. Distingue-se pela argúcia a protagonizar ações de condução e de desmarcação, harmonizando passe, drible curto e remate forte e espontâneo. Bom executante de bolas paradas, revela argúcia e agressi- vidade na pressão, na antecipação e no desarme. Miguel Crespo (Estoril, 1996). O jogador do ano da II Liga. Com uma trajetória invulgar, que incluiu passagem pela formação do FC Porto, viu-se obrigado a renascer, ao serviço do Ne- ves, nos distritais de Viana do Castelo, antes de ingressar no Merelinense e no Braga B. Médio-centro de infinda disponibili- dade física, participativo em ações defensivas e ofensivas, exi- be atributos na condução e a pro- vocar desequilíbrios no um contra um, o que lhe abona eficácia na saída de zonas de pressão, como também expõe atributos no passe na chegada a zonas de finalização, e na execução de bolas paradas. Agressivo e pressionante, demonstra argumentos no desarme. Arsénio (Arouca, 1989). Contra- tado, em janeiro, aos sauditas do Al Fayha, o antigo extremo de Moreirense e Belenenses metamorfoseou-se no grande reforço de inverno do segundo escalão, como atestam os cruciais 6 golos e 4 assistências,. Capaz de atuar a partir dos dois corredores laterais – ainda que com maior predileção pelo esquerdo, sobressai pela sagacidade a assumir ações de condução e de desequilíbrio, acasalando qualidade nos cruzamentos – em bola corrida e parada – e nos passes de rutura com um remate forte de pé direito. Kiko Bondoso (Vizela, 1995). Natural de Moimenta da Beira, o rei das assistências na II Liga – 9 em 29 partidas – foi descoberto pelo Vizela, no verão de 2019, no Lusitano Vildemoinhos. Nuclear na ascensão meteórica dos azuis à I Liga, o extremo sabe tirar partido da sua ambidestria para promover desequilíbrios no um contra um, já que se mostra capaz de conciliar velocidade e agilidade com virtuosismo no drible. Nada egoísta e com elevado sentido coletivo sobressai pela perspicácia nos passes de rutura e nos cruzamentos. Cassiano (Vizela, 1989). Protagonista de uma carreira tergiversante, com experiências em mais de uma dezena e meia de clubes, o que já o levou a passar por China, Cazaquistão, Japão e Chipre, consagrou-se como melhor marcador da II Liga, após uma época gris no Boavista, ao rubricar 16 tentos. Com um estilo inestético e sem grandes recursos técnicos, evidencia-se pela robustez física e pela ferocidade competitiva, o que faz com que seja contundente nos duelos e impositivo no corpo a corpo ante os rivais. Agressivo a assaltar zonas de finalização, até por ser acelerativo nos derradeiros metros, ostentou recursos nas definições com o pé direito e através do jogo aéreo.