MÃO PESADA PARA TREINADORES
A ABRIR
PEDRO MORAIS
çDepois de uma temporada algo tumultuosa no que a expulsões e suspensões de treinadores diz respeito, os clubes das competições profissionais, reunidos em assembleia geral, ontem, na sede da Liga, determinaram alterações aos mais diversos regulamentos, sendo que desta reunião resultou uma conclusão óbvia: na próxima temporada, ao nível disciplinar, vai haver mão pesada para os técnicos. Os castigos pelas mais variadas razões foram alvo de mudança, sendo que se agravaram na generalidade. Com efeito, os prazos das punições duplicaram e os valores das multas passam a ser ainda mais acentuados. Quer isto dizer que, em casos de ofensa à honra e reputação, atrasos no início e reinício dos encontros e atrasos e faltas de comparências às flash interviews, os treinadores passarão a ser penalizados de forma muito mais dura, um ponto que foi aprovado por todos os clubes presentes. Mas as novas regras não ficam por aqui. Isto porque, se for expulso em jogo por protestos, um treinador será obrigado a cumprir um jogo de suspensão - ponto que teve o voto contra do FC Porto -, sendo o mesmo válido para quando atingir uma série cumulativa de amarelos, à semelhança do que acontece com os jogadores. Até aqui não havia castigo por acumulação de amarelos nem suspensão automática após uma expulsão por protesto simples, sem ser por lesão da honra e reputação; só ao cabo de três, com as penas a serem agravadas por questões de reincidência. No fundo, os técnicos correm agora mais risco de serem penalizados. Ainda em relação aos treinadores, foi também aprovada uma norma transitória para quem está a frequentar o nível IV de treinador. Até então, quem estivesse a realizar o curso podia ser inscrito como treinador principal e essa disposição manter-se-á por mais seis meses, antes de ser revogada a partir de janeiro próximo, dando-se assim tempo a quem está a frequentar o curso para o concluir, caso, por exemplo, de Rúben Amorim. Outra questão que motivou também alterações ao Regulamento Disciplinar foi a necessidade de precaver um novo caso Palhinha, um dos episódios que mais polémica gerou na temporada passada. Os clubes decidiram que jogadores com o castigo de 5º amarelo suspenso por intermédio de recurso passarão agora a cumprir a pena no cartão seguinte. Quer isto dizer que, se fosse na temporada que se avizinha, Palhinha teria sido castigado ao 6º amarelo. Esta medida tem como intenção impedir que se acumulem amarelos sem que haja qualquer consequência. De notar que todas estas decisões, por interferirem com o Regulamento Disciplinar, terão de ser ratificadas numa posterior assembleia geral da FPF, pelo que, para todos os efeitos formais, ainda não podem ser dadas como definitivas. *